Publicada em 10-03-2010
Intenção é ir ao mercado para acelerar investimentos de R$ 11 bilhões em Congonhas.
BRUNO PORTO.
| DIVULGAÇÃO |
| CSN deve ampliar capacidade de Casa de Pedra para atender a alta na demanda |
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) negocia com seus sócios japoneses e sul-coreanos - que possuem participação de 40% na Nacional Minérios S/A (Namisa) - a fusão entre a Naminsa e a mina de Casa de Pedra para formação de uma única empresa com capacidade inicial de 90 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano. Conforme o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, a empresa trabalha com três hipóteses: realiza a fusão, faz o IPO (oferta pública de ações) de Casa de Pedra ou as duas juntas, que segundo especialistas seria a decisão mais provável.
Com a intenção de acelerar os investimentos de R$ 11 bilhões em Congonhas, na região dos Campos das Vertentes, e ampliar sua capacidade produtiva para atender a elevação da demanda por aço, a CSN deverá até junho negociar na bolsa ações de Casa de Pedra ou da nova empresa que será formada por Casa de Pedra e Namisa, ambos ativos localizados no mesmo município onde ocorrem os aportes. Segundo informou Steinbruch, em abril será contratado um coordenador para ser responsável pelo IPO.
Além do bom momento da construção civil e da consolidação do setor automotivo, mesmo sem os benefícios fiscais concedidos como forma de combater a crise, o setor de siderurgia ainda deverá registrar expressivo aumento da demanda. Além da retomada do crescimento econômico do país, estão programados importantes eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas, que exigirão vultosos investimentos em infraestrutura.
Os planos da empresa para os próximos anos são agressivos. Segundo o consultor do setor siderúrgico Otto Andrade, a empresa tem todas as condições de se tornar líder de mercado. "De um lado a CSN investe estrategicamente e amplia e moderniza sua capacidade minerária e siderúrgica. De outro, sua concorrente - a Usiminas - produz aço com equipamentos da época da segunda guerra", disse.
Andrade ressaltou que a CSN, além de possuir na mina de Casa de Pedra um dos minérios de ferro com melhor qualidade do mundo, ainda tem as unidaes de pelotização ao lado da mina e um ramal ferroviário passando na porta. Os investimentos da empresa em Congonhas tinham um prazo inicial de conclusão em 2014, o que poderá ser antecipado a partir da capitalização gerada com a emissão de ações.
Dos R$ 11 bilhões investidos, somente a construção de uma usina siderúrgica está orçada em R$ 6,2 bilhões. A planta foi projetada inicialmente para a produção de placas. Mas também deverão ser produzidos aços longos, chapas grossas e trilhos. Além da usina, uma das pelotizadoras que serão construídas demandará US$ 600 milhões em investimentos. O empreendimento será o maior do tipo no Brasil, com capacidade instalada de 6 milhões de toneladas/ano.
A CSN pretende, ainda, construir outra pelotizadora para atender a produção da Namisa e da mina Casa de Pedra e expandir sua produção de minério. A intenção, segundo divulgou a empresa ontem, é chegar a 150 milhões de toneladas anuais, mas não foi fixado nenhum prazo. Para isso, a empresa anunciou que poderá fazer aquisição de ativos minerários dentro do eixo de atuação da MRS Logística S/A e do Porto de Sepetiba.
Apesar de registrar uma queda de 55% no lucro líqüido em 2009 na comparação com o ano anterior, o resultado financeiro da CSN superou o de seus principais concorrentes no país - Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) e o grupo gaúcho Gerdau. A CSN registrou em 2009 lucro líqüido de R$ 2,598 bilhões, 93,3% a mais que o R$ 1,344 bilhão da Usiminas e bem acima do R$ 1,005 bilhão da Gerdau.
Para não continuar perdendo mercado para a CSN, a Usiminas também planeja investimentos em expansão da produção. Neste ano a empresa prevê investir R$ 3,2 bilhões, valor 33% superior ao aportado no ano passado. Para Andrade, porém, "planos de investimentos todas siderúrgicas possuem, mas o que se percebe que sai do papel são somente os da CSN".
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